Opções de Tratamento

Apesar de ainda não ter cura, a esclerose múltipla pode ser controlada, visando garantir qualidade de vida ao paciente. O tratamento deve ser iniciado precocemente, tão logo seja feito o diagnóstico, que infelizmente pode demorar pela incerteza dos sintomas e a necessidade de realizar diversos exames, como de sangue, ressonância magnética do sistema nervoso central e punsão lombar. As alternativas atuais de tratamento concentram-se em controlar os sintomas e a progressão da enfermidade, porém, algumas pessoas não necessitam de medicação, por apresentarem sintomas leves, que não comprometem suas funções físicas e psíquicas.

As interferonas alfa, beta e gama são proteínas naturais produzidas pelas células do sistema imunológico em resposta à ameaça de agentes como vírus, bactérias, parasitas e tumores. O medicamento interferona é ministrado via intramuscular ou subcutânea, a depender do tipo de interferona, e a periodicidade das aplicações varia de acordo com a necessidade do paciente. O medicamento atua retardando o avanço da doença e diminuindo o número de possíveis crises. Se necessário, ele pode ser utilizado em conjunto com outros medicamentos para a esclerose múltipla.

Outro possível medicamento ministrado aos portadores da esclerose múltipla é o acetado de glatirâmer. Assim como a interferona, essa proteína age reduzindo as crises e sintomas da doença e também pode ser utilizada em conjunto com outros tratamentos para esclerose, de acordo com a orientação médica.

O fingolimode é uma alternativa de tratamento oral por meio da terapia com moduladores de receptores. Ele age aprisionando os linfócitos doentes nos gânglios linfáticos a fim de evitar que eles entrem no sistema nervoso e destruam as células responsáveis pela transmissão de comandos pelo corpo. É necessário que o paciente tenha a sua função cardíaca monitorada logo após a primeira dose, pois a medicação interfere no ritmo cardíaco, e que seja imunizado contra o vírus varicela-zóster pela reação de anticorpos relacionados ao combate desse tipo de vírus.

O tratamento com natalizumabe é intravenoso e age impedindo a adesão e a entrada de linfócitos no sistema nervoso central, atuando diretamente na barreira hematoencefálica. Seu uso requer acompanhamento médico por provocar reações como dores de cabeça, dor e inchaço nas articulações e alterações no ciclo menstrual.

Para tratar casos avançados de esclerose múltipla, o imunossupressor mitoxantrona é ministrado por via intravenosa de acordo com a necessidade do paciente, porém o acompanhamento médico deve ser rígido, pois pode desencadear reações adversas graves, como problemas cardíacos.

Muito se fala, em jornais, revistas, etc sobre um tipo de tratamento para esclerose múltipla que é realizado com a vitamina D. Existe uma relação entre essa vitamina e a esclerose múltipla, sendo constatada maior incidência da doença em países com menos sol, por exemplo. No entanto, o tratamento baseado em doses altas de vitamina D para esta doença é um tipo de tratamento experimental, alternativo, cuja eficácia e segurança ainda não foram comprovadas em estudos clínicos de boa qualidade, e prospectivos.

O tratamento para a esclerose múltipla é oferecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e os medicamentos podem ser retirados apresentando a prescrição médica em um dos postos de distribuição ao solicitar a medicação.

Além das linhas de tratamento que agem diretamente no sistema imunológico, para amenizar os sintomas causados pela esclerose múltipla podem ser usados relaxantes musculares, antidepressivos e também são recomendadas fisioterapia e prática regular de exercícios.

Caso apresente algum dos sintomas da esclerose múltipla procure imediatamente o seu médico, somente esse profissional pode orientar qual o melhor tratamento.

Abaixo as drogas modificadoras de doença disponíveis para uso no Brasil:

  • Interferona beta 1a (Avonex®, Rebif®)
  • Interferona beta 1b (Betaferon®)
  • Acetato de glatiramer (Copaxone®)
  • Natalizumabe (Tysabri®)
  • Mitoxantrona (Novantrone®)
  • Fingolimode (Gilenya®)
  • Teriflunomida (Aubagio®)*
  • Alemtuzumabe (Lemtrada®)*

*Fármacos ainda não disponíveis para dispensação na rede pública (SUS).

Fonte:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE MÚLTIPLA. Disponível em: http://www.abem.org.br/. Acesso em 11 de janeiro de 2017.